#O poder do fracasso – Parte 7

Os Dez Homens Mais Ricos do Mundo em 1987

Foi em 1987 que a revista Forbes começou a elaborar seu ranking de bilionários.  Se você olhar hoje aquela lista de 1987, provavelmente irá se surpreender: você não conhecerá praticamente ninguém.  E não, a razão disso não é que a maioria daqueles bilionários morreu; a razão é que praticamente todos eles viram seu patrimônio definhar de maneira considerável.

Comecemos pelo homem mais rico do mundo em 1987: o japonês Yoshiaki Tsutsumi, que tinha uma fortuna estimada em 20 bilhões de dólares.  A última vez em que ele apareceu no ranking da Forbes foi no ano de 2006, e sua riqueza já havia encolhido para 1,2 bilhão de dólares.  Descontando-se a inflação do período, isso equivalia a 678 milhões em dólares de 1987.

Ou seja, tomando por base o poder de compra de 1987, sua fortuna caiu de 20 bilhões para 678 milhões entre 1987 e 2006, o que significa que sua riqueza encolheu 96% neste período.  E, desde 2006, sua riqueza continuou em irreversível declínio, de modo que ele hoje nem sequer figura no ranking da Forbes.

O segundo homem mais rico do mundo em 1987 também era japonês: Taikichiro Mori.  Na época, ele tinha uma fortuna estimada em 15 bilhões de dólares, o que o tornaria, em 1991, o homem mais rico do mundo, superando Tsutsumi.  Taikichiro Mori faleceu em 1993 e legou sua fortuna a seus filhos: Minoru Mori e Akira Mori.  O patrimônio conjunto de ambos é atualmente de 6,3 bilhões, o que equivalia a 3,075 bilhões de dólares em 1987.  Ou seja, a riqueza encolheu 80%.

Não consegui encontrar dados referentes às atuais fortunas dos homens (ou de seus herdeiros) que ocupavam a terceira e a quarta posição da lista de 1987, os também nipônicos Shigeru Kobayashi e Haruhiko Yoshimoto, com fortunas estimadas em 7,5 bilhões e 7 bilhões de dólares respectivamente.  No entanto, o fato de que ambos estavam acentuadamente investidos no setor imobiliário japonês em 1987, e dado que este setor vivenciou uma acentuada desvalorização no período — tudo combinado ao fato de que não há quase nada na internet sobre eles (ou sobre suas famílias) —, parece sugerir que ambos não tiveram melhor sorte do que seus conterrâneos Tsutsumi e Mori.

O quinto lugar da lista de 1987 era ocupado por Salim Ahmed Bin Mahfouz, cambista profissional e criador do maior banco da Arábia Saudita (o National Commercial Bank da Arábia Saudita).  Naquele ano, o saudita gozava de uma fortuna estimada em 6,2 bilhões de dólares.  Em 2009, faleceu seu herdeiro, Khalid bin Mahfouz, com uma riqueza estimada em 3,2 bilhões de dólares, que equivaliam a 1,7 bilhão em dólares de 1987.  Ou seja, um empobrecimento de 72,5%.

O sexto lugar da lista era ocupado pelos irmãos Hans e Gad Rausing, donos da multinacional sueca Tetra Pak.  Ambos detinham um patrimônio estimado em 6 bilhões de dólares.  Atualmente, Hans Rausing, já com 92 anos de idade, possui um patrimônio estimado em 12 bilhões de dólares, e ocupa a 92ª posição entre os mais ricos do mundo.  Gad morreu no ano 2000, mas estima-se que seus herdeiros possuem uma fortuna de 13 bilhões de dólares.  No total, portanto, a fortuna de ambos passou de 6 bilhões de dólares para 25 bilhões.  No entanto, descontando-se a inflação do período, o enriquecimento de ambos foi muito menor: de 6 bilhões para 12,2 bilhões, o que equivale a uma taxa média de rentabilidade anual de 2,7%.  Muito abaixo dos 6,8% sugeridos por especialistas.

O sétimo lugar era ocupado por um trio de irmãos: os irmãos Reichmann, proprietários da Olympia and York, uma das maiores imobiliárias do mundo.  Sua riqueza também era estimada em 6 bilhões de dólares.  No entanto, cinco anos depois, a empresa protagonizou uma das mais estrondosas bancarrotas da história, a qual reduziu seu patrimônio a apenas 100 milhões de dólares.  Um dos irmãos, Paul, conseguiu se recuperar das cinzas e hoje a riqueza de seus herdeiros está estimada em 2 bilhões de dólares, equivalentes a 975 milhões em dólares de 1987.  Ou seja, uma perda de 84%.

A oitava posição estava ocupada por outro japonês, Yohachiro Iwasaki, com uma fortuna estimada em 5,6 bilhões de dólares.  Seu herdeiro, Fukuzo Iwasaki, morreu em 2012 com um patrimônio de 5,7 bilhões, equivalentes a 2,8 bilhões em dólares de 1987: ou seja, uma perda patrimonial de 50%.

Melhor sorte teve o nono homem mais rico do mundo em 1987: o canadense Kenneth Roy Thomson, proprietário da Thomson Corporation (hoje parte do grupo Thomson Reuters).  Naquele ano, Kenneth desfrutava um patrimônio de 5,4 bilhões de dólares; quando morreu, em 2006, havia conseguido incrementá-lo para 17,9 bilhões, equivalentes a 9,3 bilhões em dólares de 1987.  Neste caso, sua média de retorno anual foi de 2,9%.  De novo, muito abaixo dos 6,8% estimados por especialistas.

Finalmente, em décimo lugar estava Keizo Saji, com um patrimônio de 4 bilhões de dólares.  Saji morreu em 1999 com uma fortuna de 6,7 bilhões de dólares, a qual, descontando-se a inflação do período, equivalia a 4,6 bilhões em dólares de 1987.  Ou seja, uma taxa média de retorno anual de 1,1%.

Podemos afirmar então que existe uma probabilidade enorme de uma grande empresa não conseguir manter seu valor e tampouco aumentar seu capital, pelo menos nas mãos de seu principal controlador. Para saber mais: http://potencialmaster.com.br

Por: Sebastião Barroso Felix

#O poder do fracasso – Parte 6
#O poder do Fracasso – Parte 8

Olá deixe seu comentário aqui