#O poder do fracasso – Parte 9

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O Círculo da Riqueza

A difícil e complicada conservação da riqueza. Ludwig von Mises já alertava para a inevitabilidade deste fenômeno ainda na década de 1940: em uma economia de mercado, naquela em que há liberdade de empreendimento, e ausência de privilégios e protecionismos estatais, a riqueza de um indivíduo representa a recompensa concedida pela sociedade pelos serviços prestados aos consumidores no passado.  E esta riqueza só pode ser preservada se ela continuar a ser utilizada — isto é, investida — no interesse dos consumidores.

Atribuir a cada um o seu lugar próprio na sociedade é tarefa dos consumidores, os quais, ao comprarem ou absterem-se de comprar, estão determinando a posição social de cada indivíduo.  Os consumidores determinam, em última instância, não apenas os preços dos bens de consumo, mas também os preços de todos os fatores de produção.  Determinam a renda de cada membro da economia de mercado.

Se um empreendedor não obedecer estritamente às ordens do público tal como lhe são transmitidas pela estrutura de preços do mercado, ele sofrerá prejuízos e irá à falência.  Outros homens que melhor souberam satisfazer os desejos dos consumidores o substituirão.

Os consumidores prestigiam as lojas nas quais podem comprar o que querem pelo menor preço.  Ao comprarem e ao se absterem de comprar, os consumidores decidem sobre quem permanece no mercado e quem deve sair; quem deve dirigir as fábricas, as fornecedoras e as distribuidoras.  Enriquecem um homem pobre e empobrecem um homem rico.  Determinam precisamente a quantidade e a qualidade do que deve ser produzido.  São patrões impiedosos, cheios de caprichos e fantasias, instáveis e imprevisíveis.  Para eles, a única coisa que conta é sua própria satisfação.  Não se sensibilizam nem um pouco com méritos passados ou com interesses estabelecidos.

Não é nada simples conservar seu patrimônio em uma economia de mercado: este sempre estará ao sabor (1) das volúveis e inconstantes preferências dos consumidores, (2) do surgimento de novos concorrentes que podem acabar roubando sua fatia de mercado, ou (3) de um possível reajuste (e posterior colapso) do preço dos seus ativos.  É falso dizer que há um valor acima do qual a acumulação de capital passa a ocorrer de modo quase automático.

Ao contrário, aliás: quanto maior for o patrimônio pessoal de um indivíduo, mais complicado será fazê-lo crescer: as oportunidades para reinvestir todo o seu capital a altas taxas de retorno são muito escassas, a menos que se queira arriscar e se aventurar em outros mercados, nos quais não se tem nenhuma vantagem comparativa.

As mesmas razões que fazem com que um estado grande seja um péssimo gestor de capitais servem para explicar por que os bilionários vão ficando sem ideias e aptidões para gerenciar sua fortuna — até o ponto em que não mais são capazes de se reinventarem continuamente, acabando por ver seu patrimônio reduzido, nem que seja apenas pela inflação.  Não é à toa que a sabedoria popular a este respeito vale mais do que as elucubrações de muitos economistas míopes: que a riqueza acumulada por uma geração já estará totalmente dissipada na terceira geração. Atualmente, com efeito, nem sequer são necessárias três gerações.  Bastam três décadas para se perder quase tudo.

Em 2013, os sobrenomes Tsutsumi, Mori, Reichmann, Iwasaki e Saji eram praticamente irrelevantes.  Da mesma maneira, em 1987, muitos dos homens mais ricos da atualidade — Bill Gates, Amancio Ortega, Larry Ellison, Jeff Bezos, Larry Page, Sergey Brin, Mark Zuckerberg — estavam trabalhando em uma garagem, ou estavam fazendo faculdade, ou estavam brincando no jardim de infância.  Nenhum herdou sua atual fortuna.  Veremos quantos deles seguirão na lista dentro de três décadas.

Os Fundadores da FIESP – Federação das Indústrias do Estado de São Paulo

A equipe de uma revista localizou e durante três meses obteve informações sobre como estão vivendo os descendentes das nove famílias fundadoras da entidade. No total, estudaram-se 526 herdeiros. Do universo pesquisado, verificou-se que apenas 15% possuem negócio próprio incomparavelmente bem menores do que foram o de seus antepassados. Os outros 85% ganham a vida como profissionais liberais e empregados de outras empresas. A constatação matemática é que, para cada grupo de sete herdeiros da primeira safra de empresários paulistas, apenas um permanece à frente de um negócio – a maioria com desempenho econômico muito inferior ao de seus antepassados.

Em alguns casos a riqueza ruiu ainda nas mãos do fundador. Em outros, os herdeiros até receberam uma empresa sólida, mas não puderam manter o negócio em atividade. Os 85% restantes, abraçou outras carreiras e vive com um padrão de vida bastante digno, mas bem distante do dos patriarcas.

Conhecer a trajetória dos seis empresários fundadores da Fiesp cuja fortuna se dissipou é sempre uma boa oportunidade para extrair lições. Uma delas bastante atual hoje em dia é o difícil acompanhamento das inovações tecnológicas. No início, o empreendedor tem a agressividade de um aventureiro. É esse sentimento que faz com que a empresa cresça e ganhe mercado. Com o passar do tempo, o empresário vai ficando mais conservador, tem dificuldades em apostar nas novidades e muitas vezes acaba sendo ultrapassado por outros empresários mais jovens e com aquela velha agressividade.

Outro tropeço comum foi o processo de sucessão nesses grupos. A profissionalização era um conceito praticamente desconhecido. Mas, além disso, não se preparava corretamente um herdeiro para assumir o comando da empresa.
Um dado importante sobre as grandes fortunas é que elas precisam continuar se multiplicando para garantir sustento aos herdeiros. Se uma empresa permite determinada quantia de retiradas, na segunda geração esse mesmo valor pode cair pela metade (caso sejam dois filhos) ou para 25% (caso sejam quatro filhos). Se o ritmo das retiradas permanece o mesmo dos áureos tempos e os lucros da empresa ficam estacionados, está feita a equação da derrocada. O exemplo mais simbólico dessa cruel matemática é o patrimônio do conde Francesco Matarazzo. Calculada em 20 bilhões de dólares, essa soma lhe daria a sexta colocação no ranking dos maiores bilionários do planeta de 2004. O clã Matarazzo tem hoje simplesmente 300 membros. Se o saldo inicial fosse mantido, cada um deles ficaria com 6,6 milhões de dólares de hoje. Bastante dinheiro, sem dúvida – mas nada que chegue perto do que foi a opulência do ancestral milionário. Infelizmente, a companhia foi se endividando, perdendo dinheiro, até praticamente desaparecer.

O Brasil principalmente o dos últimos 30 anos é um ambiente hostil para os que querem fazer negócios. Um recente estudo do Banco Mundial mostrou que apenas países como o inexpressivo Chade têm condições piores do que as brasileiras. Os empreendedores de hoje sofrem para abrir uma empresa, fechá-la, tomar empréstimo, pagar impostos, contratar funcionários e uma lista interminável de problemas. Quem gere uma empresa sabe o quanto a conjuntura econômica pode ser decisiva para o sucesso ou fracasso do empreendimento. O Brasil mudou muito desde os tempos dos magnatas da indústria paulista até hoje. Eles também foram atingidos por algumas intempéries (como dez padrões monetários, duas ditaduras, crises internacionais e até uma guerra mundial). A conjuntura não explica o fracasso desses empresários.

O objetivo de toda empresa é sobreviver mesmo diante das maiores adversidades. A questão que se coloca é se isso é possível. Quando os fundadores da Fiesp se reuniram para tirar a foto, pareciam comandar grupos imortais. Só que dois terços naufragaram. Hoje, claro, existe um número maior de ferramentas para que as empresas prosperem através das gerações. Mas o risco de uma empresa fechar as portas, apesar de todos os cuidados adicionais e aconselhamentos, é elevadíssimo. De acordo com um estudo realizado por John Ward, especialista americano em empresas familiares, apenas 34% das empresas familiares conseguem sobreviver quando o bastão passa da primeira para a segunda geração. Desse grupo, apenas a metade (portanto 17% do montante inicial) consegue passar o comando para a terceira geração. Outro estudo, também feito nos Estados Unidos, mostra que apenas 10% das empresas conseguem chegar aos 75 anos e que apenas 4% completam o primeiro centenário. Para saber mais: http://potencialmaster.com.br/

Por: Sebastião Barroso Felix

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