#Como o negócio entre a Amazon e Whole Foods pode afetar o segmento de supermercados

Os analistas dizem que os varejistas podem esperar mais pressão de preços, consolidação e maiores expectativas dos consumidores para compras e entrega online.

A semana passada, para muitos supermercadistas americanos poderia ser esquecida.

Primeiro veio a notícia de que a rede Aldi investirá US 3,4 bilhões para aumentar sua rede em mais mil lojas. Três dias depois, o seu discípulo Lidl abriu suas portas, inaugurando um modelo de baixo preço e qualidade, que levou a Europa a uma guerra de preços e pretende fazer o mesmo na América.

Então chegou a bomba: a Amazon comprou a rede de supermercados Whole Foods por US 13,7 bilhões.

Para os supermercadistas cansados ​​das guerras de preços, lutando contra a deflação e as dificuldades para se manterem relevantes em meio à crescente competição pelos dólares gastos com alimentação, os movimentos de Aldi e Lidl foram mais dois golpes em uma batalha já longa e difícil. A aquisição da Amazon do pioneiro de alimentos naturais e orgânicos, por outro lado, pareceu sinalizar uma mudança de curso no varejo de supermercados, que deixou muitos se perguntando qual seria o maior impacto no segmento.

Em entrevistas com a Food Dive, os analistas disseram esperar que a compra da Whole Foods possa acelerar as tendências existentes no segmento, ao mesmo tempo em que altera as expectativas do consumidor em torno da integração de métodos de compras digitais e tradicionais. O resultado provavelmente será a necessidade de investimentos adicionais por parte dos supermercados já deficientes de capital para investimento.

De acordo com especialistas da área existe seis áreas onde a aquisição da Amazon poderia afetar o segmento de supermercados nos próximos meses:

1. Pressão de preços

É uma história conhecida ao longo do varejo: a Amazon entra em uma categoria com os preços mais baixos, pressiona outros varejistas a baixar seus preços e, em seguida, ganha participação de mercado.

O alcance da Amazon com Whole foods será mais limitado, mas os varejistas que operam lojas de produtos naturais e orgânicas podem ver um efeito semelhante. Se a Amazon atacar a imagem de “Preços Altos” do Whole Foods, como muitos esperam que a empresa faça, reduções de preços significativas serão realizadas nas lojas.

Como resultado, outros varejistas se sentirão pressionados a baixar os preços em seus produtos especializados de alta margem. É uma reação lógica, mas, de acordo com fontes, pode ser muito perigosa, considerando que muitos supermercados já estão reduzindo os preços em seus produtos básicos e de baixo custo para competir com lojas de discontos e o Walmart.

“Isso se torna uma decisão realmente difícil para competir em preço em duas frentes”, disse Diana Sheehan, diretora de informações de varejo da Kantar Retail, ao Food Dive.

2. Consolidação adicional do segmento

Fusões e aquisições diminuíram nos últimos anos, enquanto os varejistas procuravam escalas e eficiências em um segmento cada vez mais difícil. A aquisição da Whole Foods pela Amazon provavelmente impulsionará uma maior consolidação do setor, segundo as fontes, mas o principal objetivo é diversificar em vez de economizar dinheiro.

Sheehan acredita que cadeias pequenas e regionais fortes serão alvo de aquisição, considerando seus pontos fortes em mercados locais e os seus valores de aquisição relativamente baixos. Enquanto isso, Neil Stern, da consultoria McMillanDoolittle, disse que um grande varejista, como a Kroger ou o Target, poderia comprar uma cadeia natural e orgânica como o Sprouts Farmers Market. Isso serviria como uma arma contra um Whole Foods ascendente, para não mencionar reforçar sua presença em uma categoria de alto crescimento.

“Certamente para o Sprouts, a probabilidade de uma aquisição aumentou”, disse Stern à Food Dive. “Eles poderiam se tornar uma peça estratégica do portfólio de outra empresa”.

3. Aumentar as apostas no comércio eletrônico

Como um supermercado online, a Amazon tem lutado para expandir sua penetração para além de uma centena de mercados urbanos. Após dez anos de operação, seu serviço Amozon Fresh está disponível em apenas 16 cidades.

Com as lojas Whole Foods em seu arsenal, a Amazon adicionaria uma dimensão crucial de lojas físicas às suas ambições de comércio eletrônico de compras de supermercados. Muitos esperam que a Amazon adicione operações de clique e colete às lojas, especialmente nos locais suburbanos, onde a penetração do Whole Foods é muito baixa. A entrega em domicílio também estará entre as estratégias. Fontes esperam que a Amazon aumente a eficiência – como usar o seu serviço Fresh para atender pedido, em vez de ter trabalhadores organizando produtos em loja – para tornarem-se os melhores do segmento em muitos mercados.

Os esforços da Amazon neste espaço pressionarão outros varejistas a canalizar mais dinheiro para comercializar e desenvolver suas plataformas de compras online. Isso poderia resultar no longo prazo, mas, por enquanto, essas plataformas são, para muitos varejistas, ineficientes e muito difíceis de se converter em lucro.

“Entregas de uma e duas horas são apostas para o comércio eletrônico de supermercado, e o movimento da Amazon acelera nessa direção”, disse Michelle Grant, chefe de varejo da Euromonitor International, ao Food Dive.

4. Evolução das Marcas Próprias

Muitos analistas esperam que a Amazon cresça a marca 365 da Whole Foods ao financiar seu desenvolvimento na loja, além de vendê-la para milhões de clientes adicionais através da Amazon.com. Mas o gigante online tem suas próprias ambições com relação a marcas próprias, com marcas como alimentos para bebês Mama Bear e lanches Happy Belly e café ganhando cada vez mais força em seu site.

Jack O’Leary, analista da empresa de consultoria Planet Retail RNG, disse que espera que a Amazon ofereça algumas dessas marcas nas lojas Whole Foods. Além disso, o varejista provavelmente usará a experiência do Whole Foods e disponibilizará prateleiras para ampliar as linhas de marcas próprias.

“Será interessante ver como os dois varejistas juntarão seu mix de produtos e aumentarão as marcas próprias”, disse O’Leary ao Food Dive.

As ambições de ganhos financeiros da Amazon, o espírito experimental e as novas perspectivas sobre o varejo físico poderiam trazer algumas marcas inovadoras que desafiam os varejistas e estimulam o desenvolvimento em um segmento em rápido crescimento.

5. Maiores expectativas de tecnologia nas lojas

Quando a Amazon anunciou a aquisição do Whole Foods na semana passada, as pessoas imediatamente imaginaram as maravilhas tecnológicas que o maior varejista online do mundo poderia trazer para centenas de lojas. Talvez todos os Whole Foods pudessem ter a tecnologia da Amazon Go gratuita, entregas de drones de pedidos online ou sensores para rastrear clientes e interagir com eles enquanto caminham pela loja.

“No momento em que os varejistas estão enfrentando uma compressão de margem da expansão das lojas de discontos como o Lidl, a perspectiva de ter que gastar mais em tecnologia na loja e plataformas digitais para acompanhar a gigante Amazon é altamente desinteressante”.

Fontes disseram à Food Dive que a tecnologia prática, como a melhoria dos sistemas de back end, fará mais para melhorar a rentabilidade da Whole Foods no curto prazo. Mas não há dúvida de que a Amazon, com base em dados, deve ampliar o uso da tecnologia voltada para o cliente. O varejista poderia oferecer recomendações aos membros Prime que integrem suas preferências online e na loja. A Amazon também poderia alavancar seu armazém de contas Prime, incluindo informações de pagamento, para acelerar o checkout e oferecer itens especiais na loja.

Independentemente do que a Amazon escolha fazer, provavelmente aumentará as expectativas dos consumidores e os varejistas sentirão pressão para intensificar o uso de tecnologia na loja.

6. O fator X

É difícil prever com certeza o que exatamente a Amazon fará com Whole Foods. O modelo para o que acontece quando um grande varejista online compra uma grande cadeia de produtos naturais e orgânicos simplesmente não existe. Os relatórios observaram que, como o negócio foi feito rapidamente, mesmo a Amazon não sabe exatamente como alavancará a aquisição.

Então, por enquanto os observadores podem dizer que a Amazon vai avançar no comércio eletrônico e na tecnologia de loja, pois é difícil saber exatamente o que o varejista fará nessas áreas e quais outros elementos do ambiente de varejo físico podem alterar.

“Na Amazon, você tem um concorrente que pode reiventar a loja de maneiras que as antigas lojas físicas não conseguem fazer”, afirmou Grant.

Uma coisa é certa: com a aquisição da Whole Foods, as movimentações da Amazon serão acompanhadas de perto mais ainda pelo segmento varejista e pela indústria, haja visto que suas ações afetarão à todos sobremaneira.

Fonte: FOOD DIVE


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