#Brasil, um País de Sindicatos

Enquanto no Reino Unido há 168 sindicatos, na Dinamarca 164, nos Estados Unidos 130 e na Argentina 91, há neste momento no Brasil um total de 16.431 sindicatos, sendo 11.257 de trabalhadores e 5.174 de empregadores, fora as confederações, federações, centrais sindicais e associações ou conselhos de classe.

Esse excessivo volume de sindicatos é sustentado pela “contribuição” (imposto) sindical, recolhida obrigatoriamente pelos empregadores no mês de janeiro e pelos trabalhadores no mês de abril de cada ano. Somente em 2016, os sindicatos receberam 3,5 bilhões de reais retirados a força de trabalhadores e empregadores.

Para o presidente do Tribunal Superior do Trabalho, ministro João Oreste Dalazen, a estrutura sindical no Brasil é falha, viciada e atrasada, a maioria das entidades sindicais não representa ninguém e existe apenas para embolsar o imposto pago pelos contribuintes.

Inúmeros casos poderiam comprovar a afirmação do ministro, vejamos apenas alguns deles: existe o sindicato dos trabalhadores dos sindicatos, o sindicato dos trabalhadores da indústria de roupas brancas.

Um caso que ilustra bem como os sindicatos são administrados no Brasil é o caso do Sindicato dos Comerciários do Rio de Janeiro (estamos falando da segunda maior cidade do país e não de uma cidadezinha no interior do Ceará), mas pode chamar de casa dos Mata Roma. Este é o sobrenome da família que mandou no sindicato por quase 50 anos. Mandava e desmandava.

“Não era funcionário, não era presidente, não era vice-presidente ou diretor. Eles eram o dono do sindicato”, conta um funcionário.

Luizant Mata Roma chegou ao sindicato como interventor, nomeado pela Ditadura Militar, em 1966. E não saiu mais. Foi presidente durante 40 anos. Só deixou o cargo quando morreu em 2006. Quem assumiu? O filho dele, Otton da Costa Mata Roma. A lista dos Mata Roma empregados no sindicato tem 15 parentes. “A maioria dos parentes não trabalhava. Só apareciam em final de mês, época de pagamento”, revela o interventor José Carlos Nunes.

Carolinsk Mata Roma, a atual mulher do presidente, era a assessora especial da Presidência. O salário era de quase R$ 22 mil. O filho de Otton, Aran Mata Roma, também quase R$ 22 mil.

Só recebia mais que eles a irmã do presidente, Monica Mata Roma: R$ 23 mil por mês para ser a supervisora sindical. A mãe dele, dona Aderita, também recebia salário do sindicato. Para ser coordenadora de creche: R$ 10 mil por mês.

E os diretores? Todos tinham salários de R$ 50 mil a R$ 60 mil. E ainda havia um cartão corporativo, desses que empresas grandes dão aos executivos mais importantes. Os extratos mostram que as faturas, sempre pagas pelo sindicato, chegavam a R$ 30 mil, R$ 35 mil em um único mês.

O Sindicato dos Comerciários do Rio se tornou uma empresa familiar tão próspera que a direção decidiu investir em outros negócios, que foram muito além dos muros do sindicato. Otton Mata Roma é sócio de duas empresas de táxi aéreo. Tem dois aviões e um helicóptero. Ele fechou uma sub sede do sindicato em Copacabana que atendia os comerciários e ali, ele transformou na sede das duas empresas dele”, revela o interventor José Carlos Nunes.

A mamata só acabou quando uma auditoria contratada pela Justiça investigou a contabilidade entre os anos de 2009 e 2014 e descobriu um rombo de R$ 100 milhões. O valor reúne as diferenças encontradas nas contas do sindicato, despesas suspeitas com advogados, despesas superfaturadas, dívidas em impostos, juros e multas e outros gastos. O sindicato está sob intervenção.

Por: Sebastião Barroso Felix


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