#Cerca de um terço dos shoppings centers nos Estados Unidos fecharão suas portas nos próximos anos

Não é o apocalipse, mas essa é a afirmação do consultor Jan Kniffen CEO da Worldwide Enterprises, empresa de consultoria especializada em fundos de investimentos de empresas varejistas. Sua afirmação tem como base, os últimos acontecimentos envolvendo empresas como a Sears, a JC Penney e a Macy’s, que anunciaram o fechamento de dezenas de lojas em 2017, além claro de 16 outros players menores que também se encontram em dificuldades. Esses 19 varejistas, têm mais de US $ 3,7 bilhões em dívidas, com vencimento nos próximos cinco anos, com cerca de 30% desse total devido até o final de 2018.

A Macy’s e suas congêneres do varejo que atuam em shoppings norte americanos são desafiadas por uma oferta excessiva de espaço de varejo, à medida que os clientes migram para as compras online, bem como para varejistas de moda especializada como H & M e lojas de desconto como TJ Maxx. No início deste ano, 40 lojas Macy’s foram fechadas. Em janeiro passado, 40 lojas JC Penney também foram fechadas. A Sears por sua vez já fechou mais de 200 lojas nos últimos dois anos.

O fechamento de lojas de grandes cadeias de varejo, geralmente localizadas em shoppings centers são os maiores responsáveis pelo fechamento de shoppings centers nos Estados Unidos. Os shoppings não só perdem o faturamento e o tráfego de compras dos negócios daquela loja. Como em muitas vezes, esses fechamentos desencadeiam as chamadas “cláusulas de coarrendamento” que permitem que os lojistas restantes do shopping possam exercer o direito de rescindir os seus contratos de arrendamentos ou renegociar os termos dos contratos, normalmente com um período de ganhos mais baixos para o shopping, até outro varejista se estabelecer no espaço vazio âncora. A taxa de lojas fechadas nos shoppings americanos gira em torno de 9%.

Os EUA têm 23,5m quadrados de espaço de varejo por pessoa, em comparação com 16,4m quadrados no Canadá e 11,1m quadrados na Austrália – os países mais próximos, com o maior espaço de varejo per capita, de acordo com o relatório Morningstar de Outubro/2.016. Segundo levantamento feito pelo Greenstreet Advisors, desde 2010 cerca de 25 shoppings centers em todo o país fecharam suas portas.

Entre os fechamentos estão empreendimentos do Simon Property Group, gigante do setor. Com uma dívida de US$ 45 milhões em empréstimos, a companhia fechou o shopping Greendale Mall, em Worcester, Massachusetts, que estava como garantia.

Segundo o The Wall Street Journal, o Washington Prime Group, outro grupo do setor de shoppings, informou em novembro que estava considerando devolver dois shoppings localizados em Grand Junction, no Colorado, e Lancaster, em Ohio, para seus credores.

A empresa também fechou ao todo quatro shoppings – na Virgínia e na Flórida – que liquidaram hipotecas de US$ 247,5 milhões.

A CBL & Associates Properties já se desfez de 14 shoppings, sendo que oito foram vendidos e seis entregues aos credores. Os seis shoppings que a CBL entregou aos credores tinham uma dívida total de US$ 381 milhões.

O resultado dessa grande oferta de espaço varejista, aliado as mudanças de hábitos de consumo é que cerca de 400 dos 1.100 shoppings existentes no país correm o risco de fecharem nos próximos anos. Daqueles que permanecerem, a previsão é que cerca de 250 irão prosperar, enquanto o restante irão continuar a luta.

Um caso exemplar no Brasil

Nos últimos cinco anos, a cidade de Sorocaba, no interior de São Paulo, ganhou cinco novos shopping centers com 1.120 lojas para atender os 630 mil moradores locais e outros 1,5 milhão do entorno. A cidade, que até 2012 tinha apenas três shopping centers, passou a ser terceira no Estado em número de empreendimentos. Com a crise econômica, pelo menos três centros estão vazios. Uma reportagem do americano ‘The Wall Street Journal’ referiu-se a Sorocaba como “a cidade dos shoppings fantasmas”.

Por: Sebastião Barroso Felix


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