# Com crise, brasileiro prefere tênis nacionais

O mercado de calçados esportivos apresentou uma pequena recuperação nos primeiros meses de 2017, com fabricantes brasileiros ganhando espaço de grupos internacionais. Para representantes do setor, com renda disponível menor neste ano, os consumidores optaram por calçados básicos, com preços maior baixos – categoria que as empresas brasileiras dominam.

De acordo com dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior compilados pela Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados), as importações de calçados esportivos encolheram 4,6% no primeiro semestre em volume, para 2,21 milhões de pares. Em valores, a queda foi de 12%, para US$ 51,95 milhões. A maioria das importações são de calçados de grupos internacionais como Nike, Adidas e Puma, que não têm produção local. Procuradas, as empresas não quiseram comentar o assunto.

Enquanto as importações tiveram queda de 4,6%, o consumo de calçados esportivos no Brasil cresceu em torno de 1% em volume no primeiro semestre. A BR Sports, dona das marcas Topper e Rainha no Brasil, informou ter registrado um crescimento de 20% no volume de vendas no semestre em comparação com o mesmo período de 2016. Para todo o ano, a expectativa é manter o ritmo de expansão. “O consumidor ainda está muito sensível a preços. Acredito que o reforço de ações de marketing e distribuição foram decisivos para atrair os consumidores”, afirmou Leonardo Chamsin, presidente da BR Sports.

A BR Sports foi formada em 2015 pelo grupo Sforza, do empresário Carlos Wizard, após a compra das marcas Topper e Rainha, que pertenciam à Alpargatas. A Alpargatas mantém, hoje, apenas a operação da Topper na Argentina. Chamsin disse que já investiu R$ 32 milhões nas duas marcas para levá-las de volta às prateleiras das redes especializadas. A empresa também patrocina dez times de futebol das séries A e B, além dos árbitros de futebol e futsal.

Em junho, a BR Sports fechou um acordo de exclusividade com a americana Saucony para representar a marca de tênis de corrida de alto desempenho no Brasil. A marca compete diretamente com Asics e Mizuno As linhas têm preço a partir de R$ 600 o par. Chamsin observou que os tênis de corrida representam 40% das vendas de calçados esportivos no país. As linhas da Saucony complementam o portfólio da empresa, que tem produtos mais casuais e básicos com a marca Rainha, afirmou.

Marcelo Ferreira, diretor de artigos esportivos da Alpargatas, confirma que as marcas fabricadas no país estão com a demanda mais aquecida, principalmente em produtos de valor agregado mais baixo. Segundo ele, a Mizuno – marca japonesa que a Alpargatas produz e vende no Brasil – segue um movimento contrário das outras marcas internacionais. “A marca tem ganhado participação com venda de produtos mais tecnológicos e de maior valor agregado”, afirmou.

No primeiro trimestre, as vendas da Mizuno cresceram 2% em volume no país. Ferreira disse que essa tendência de crescimento se confirmou no segundo trimestre, mas não deu números. “A empresa tem conseguido bons resultados principalmente em calçados com alta tecnologia voltadas para atletas de corrida. No nível de preços intermediários, a marca também começou a colher frutos com a produção local”, disse Ferreira.

São consideradas linhas básicas tênis de até R$ 299 o par. Produtos com preços acima de R$ 699 o par são linhas mais sofisticadas. Os calçados esportivos intermediários são vendidos entre R$ 300 e R$ 699 por par.

A Vulcabras Azaleia, dona da marca Olimpikus, cresceu 17,6% em receita no primeiro trimestre, para R$ 295,9 milhões. O lucro líquido avançou 1.143%, passando de R$ 2,1 milhões em 2016 para R$ 26,1 milhões neste ano. O resultado foi associado principalmente à melhora nas vendas da marca Olimpikus.

A companhia informou que vê uma recuperação lenta no mercado de tênis esportivos e calçados, mas não divulgou detalhes sobre o segundo trimestre.

A Cambuci, dona da marca Penalty, também viu a sua receita crescer 32,3% no primeiro trimestre, para R$ 70,8 milhões. A empresa encerrou o período com lucro líquido R$ 2,1 milhões, ante um prejuízo de R$ 11,6 milhões um ano antes. A Cambuci associou o desempenho a cortes nas despesas e à reestruturação na área de vendas. Procurada, a companhia não comentou sobre vendas no segundo trimestre.

A Associação pela Indústria e Comércio Esportivo (Ápice), que representa as marcas Asics, Alpargatas, Nike, Oakley, Puma, Specialized, Skechers e Under Armour (90% do setor) no Brasil, confirma o cenário melhor para produtos fabricados no país.

“Em razão da crise, há uma substituição de produtos importados por nacionais. O consumidor, em vez de comprar um calçado importado, com mais tecnologia, compra um produto mais simples, com preço que pode pagar no momento”, afirmou Marina Carvalho, presidente da Ápice.

Marina disse que as vendas de calçados esportivos importados vêm caindo no Brasil desde 2015. Apesar desse cenário, as companhias internacionais procuram manter seus investimentos no país. “As empresas ainda trabalham com uma perspectiva de melhora nas vendas neste ano. Por isso ainda não há um movimento dos grupos internacionais de sair do país”, afirmou.

De acordo com dados da consultoria Iemi Inteligência de Mercado, em 2016, o consumo de calçados esportivos no Brasil encolheu 10,2% em volume, somando 71,6 milhões de pares. Em receita, houve queda nominal de 3,9%, para R$ 4,53 bilhões (com queda real de 2,5%).

Para este ano, a previsão é de um incremento de 1,2% em volume, para 72,5 milhões de pares, e de 5,9% em receita nominal (com ganho real de 2,61%), para R$ 4,80 bilhões.

Fonte: http://www.valor.com.br


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