#Os tempos mudaram e você o que fez?

O varejo muda diariamente. Aquilo que funcionava muito bem e fazia grande diferença alguns anos atrás, hoje pode não significar nada. A forma que comprávamos antes não tem nada a ver com a forma atual. E não estamos falando de grandes mudanças ocorridas em 50 anos, mas sim de mudanças ocorridas em 10, 12 anos.

Para termos uma ideia da velocidade das mudanças, em 1998, o tempo médio de permanência em supermercados era de 1h e 18 minutos. Hoje, é de apenas 34 minutos. Compramos 129% mais rápido se comparamos o tempo gasto há 18 anos e o de hoje.

É fascinante e ao mesmo tempo intrigante observar o fenômeno da sensação para todos nós de que o tempo está passando mais rápido. Num piscar de olhos, 2016 acabou e já começamos a correr atrás dos planos feitos para 2017. Parece que as coisas aconteceram há dias, meses, mas na prática quando fazemos as contas vemos que na realidade se trata de anos.

Estudos sobre o Comportamento do Consumidor em Super e Hipermercados, realizado pelo Popai Brasil, uma associação sem fins lucrativos, dedicada ao desenvolvimento da atividade de Merchandising, que acabam de ser divulgados, expressam claramente isto. Basta comparar os números do primeiro estudo, realizado em 1998, com os atuais.

O tempo médio de permanência nessas lojas que era de 1h e 18 minutos e hoje é de apenas 34 minutos mostra de forma clara e inequívoca as mudanças no comportamento de compras dos consumidores de supermercados. Em 98, tínhamos mais tempo para passear nas lojas, o que considerávamos um programa, pois 71% das pessoas faziam compras acompanhadas. Hoje, 70% vão sozinhas às lojas. A proporção, literalmente, se inverteu. Outro ponto: na primeira pesquisa, 75% dos compradores passavam por todas as seções das lojas. Hoje, só 38% o fazem.

O público masculino

As mulheres sempre foram consideradas compradoras profissionais, enquanto os homens são “os amadores”, que compram supérfluos e não têm o menor interesse por essa atividade. Mas vejam só que interessante: no período de cerca de uma década, entre uma pesquisa e outra, a presença de homens comprando subiu de 15% para 32%, ou seja, mais do que dobrou. Pode ser até que ainda não saibamos comprar, mas com certeza estamos tentando bastante!

As compras à vista

Pode ser uma surpresa para você, mas 58% das compras são pagas em dinheiro vivo. Só 18% das pessoas usam cartões de crédito, 15% cartões de débito, 5% cartões de supermercados. Assim, podemos deduzir que existe uma quantidade gigantesca de pessoas no Brasil que não têm acesso a serviços bancários e ainda não tiveram como chegar às facilidades que os cartões de crédito nos proporcionam.

Como compramos

Continuamos comprando muito por impulso. O número exato: 125% itens a mais do que pretendíamos comprar ao entrar nas lojas, sendo que 76% das escolhas das marcas são realizadas dentro do ponto de venda. Eis aqui, portanto, uma oportunidade ímpar de aumentarmos as vendas da loja somente trabalhando os seus aspectos de apresentação, layout e exposição de produtos.

O interessante é que a quantidade de produtos mais do que dobra, mas o ticket médio não. A intenção de gastar aferida, de R$ 45,60, varia apenas em mais R$ 0,30, quando comparada com o valor efetivamente gasto. Logo, nas lojas as pessoas estão optando por mercadorias mais baratas ou embalagens reduzidas, de forma a que suas compras aumentam em itens, mas permanecem dentro dos seus orçamentos. Um dado hiper significativo que pode auxiliar o varejista na composição mais adequada do seu mix de produtos. O varejista não pode ser omisso e precisa ter um cuidado redobrado com esse item, pois corre o risco de perder muito dinheiro, caso não seja trabalhado adequadamente.

Estes são apenas alguns dados de uma pesquisa riquíssima, que traz informações fundamentais para as empresas atuarem melhor nesse modelo de ponto de venda, apresentando sempre novidades que seduzam compradores cada vez mais apressados. O varejista precisa estar atento a essas mudanças e assim traçar estratégias adequadas a essa nova ordem.

Por: Sebastião Barroso Felix


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