#Varejo alimentar lucrou apenas 1,85% em 2.016 abaixo da média histórica de 2%

O ano de 2016 não foi igual para todos os segmentos e empresas do varejo alimentar. As vendas totais do setor tiveram alta de 3,1%, descontada a inflação média do período, que foi de 8,77% pelo IPCA. É o que mostra o 46º Ranking de Supermercados de SM, que tem como base pesquisa realizada com mais de 300 empresas de todo o País. O aumento nas vendas reflete a forte expansão dos atacarejos no ano passado. Mas, em mesmas lojas, houve queda real de 1,3%. Além da retração no consumo, o recuo se explica por decisões feitas pelos supermercadistas que acabaram prejudicando as vendas.

Entre as medidas adotadas, destacou-se a redução de compras junto aos fornecedores, que foi provocada pela dificuldade de caixa. Essa decisão elevou o índice de ruptura durante vários momentos do ano, o que contribuiu para a queda nas vendas. Segundo levantamento da Neogrid, em sete dos 12 meses, a taxa esteve acima de 10%. Só em janeiro atingiu 13%. Heloisa Callegaro, sócia da McKinsey, lembra de casos em que, para economizar, o varejista comprou similar mais barato do item de maior procura. Muitas vezes, porém, esse item não correspondeu ao desejo do consumidor e ficou na prateleira.

Atacarejo volta a impressionar

O desempenho dos formatos também foi desigual em 2016. O cash & carry cresceu 14,1% real em 2016, alcançando faturamento de R$ 86,2 bilhões. Com isso, aumentou em dois pontos percentuais sua participação de mercado e atingiu 20,1%. Em valores, isso significou uma diferença de mais de R$ 10 bilhões em relação à receita bruta do hipermercado. No ano passado, a distância era de pouco mais de R$ 320 milhões.

Com a crise, a migração para o formato foi mais intensa e obrigou as empresas a se adaptar para atender o consumidor final. Para se ter uma ideia, muitas redes já incluíram, ao menos, um item de maior valor agregado no mix de diversas categorias. O atacarejo cresceu ainda pela forte expansão. Em 2016, o formato fechou o ano com 143 unidades a mais do que em 2015.

Já os supermercados tiveram alta real de 1,1%. A receita bruta foi de R$ 267,4 bilhões. Embora pequeno, o crescimento não foi ruim se considerarmos as dificuldades do cenário econômico. O ligeiro aumento refletiu, entre outros aspectos, ajustes no parque de lojas. Segundo Robson Poleto, analista de varejo da Lafis, muitas empresas iniciaram avaliação de suas filiais com base no mercado em que atuam e no desempenho financeiro. Com isso, acabaram fechando unidades ineficientes e mantendo ou expandindo aquelas com melhor resultado.

Os hipermercados, por sua vez, fecharam o ano passado com retração real de 0,8% e faturamento de R$ 74,5 bilhões. Apesar disso, o recuo foi inferior ao do ano passado (-5,7%). A pequena recuperação se justificou pela abertura de 21 unidades em 2016. Também refletiu um pouco das melhorias implementadas pelas maiores redes do setor em suas lojas do formato.

Gigantes: momentos diferentes

Juntas as três maiores redes do varejo alimentar tiveram aumento real de 1,1% no faturamento, que foi de R$ 123,5 bilhões. Carrefour e GPA, que investiram muito em atacarejo, cresceram acima da inflação, enquanto o Walmart teve queda real.

Entre as principais conclusões do estudo de SM, está o distanciamento do Carrefour na liderança do ranking nacional. Nos últimos três anos, a companhia teve alta real média de 4,6%, contra 1% do GPA. Só no ano passado, o Carrefour teve receita de R$ 49,1 bilhões. Esse faturamento foi R$ 4,1 bilhões maior do que o do GPA. Em 2015, a diferença era de R$ 2,5 bilhões. Para Gustavo Oliveira, analista do banco de investimentos UBS, isso se deveu principalmente ao Atacadão. Segundo ele, a participação da bandeira nas vendas, que antes era de 60%, subiu para cerca de 65%. No GPA Alimentar, o Assaí representa 35% da receita. O número de lojas também é maior: 135, ante 107.

Já o GPA Alimentar, segunda colocada do ranking, registrou alta real de 2,7% no ano passado. Com isso, o faturamento somou R$ 44,9 bilhões. Mas seu principal desafio foi a rentabilidade. O percentual de lucro líquido teve queda de 1,2 ponto percentual em relação a 2015, alcançando 0,9% da receita líquida. A retração foi puxada pela queda da margem bruta em 1,4 pp devido às ações promocionais implementadas na bandeira Extra, em abril do ano passado.

O Walmart, em contrapartida, apresentou retração real de 7,8%. A rede caiu pelo terceiro ano consecutivo em termos reais. Segundo os especialistas, a empresa sofre consequências de decisões tomadas no passado. “Por muito tempo, a companhia trabalhou com grande número de bandeiras, provenientes de empresas compradas”, afirma Luiz Otavio Nascimento, sócio da Mérita Consultoria. “Em muitas delas, ainda há problemas na operação. Caso da rede Nacional, de Porto Alegre (RS), com ruptura e falta de operadores de caixa”, afirma.

O lucro líquido do varejo alimentar teve uma queda de 0,09 ponto percentual em 2016. Com isso, atingiu 1,85% da receita bruta do setor, ficando abaixo da média histórica de 2%. Essa é uma das conclusões do 46º Ranking de SM, pesquisa que contou com a participação de mais de 300 empresas que operam super, hipermercados e atacarejos . O principal motivo para a menor lucratividade foi a queda de 4,4 pontos percentuais na margem bruta total das seções, que alcançou 27,5%.

Para conter a retração das vendas, o varejista abusou das promoções. Segundo Rodrigo Righi, sócio da Galeazzi & Associados, boa parte das ofertas não aconteceu com o apoio da indústria, o que levou à queima da margem. Outro fator importante foi o fato de os supermercadistas terem absorvido os reajustes de preços realizados pelos fornecedores. Boa parte fez isso para tentar concorrer com os atacarejos.

Exceção à regra

Apesar das dificuldades enfrentadas em 2016, algumas redes conseguiram fechar o ano com lucro líquido acima da média do setor. É o caso do Lopes Supermercados, de São Paulo. A empresa alcançou no ano passado índice de 2,17% sobre a receita bruta, contra 1,6% de 2015. Contribuíram para o resultado a implementação do gerenciamento por categorias e a otimização da política de pricing. “Em épocas de crise, o dinheiro do consumidor acaba antes do fim do mês. Por isso, a precificação deve ser diferente em relação aos tempos de bonança”, afirma Marcio Barros, diretor-geral da rede.

O Lopes Supermercados também ampliou o controle de despesas. Investiu ainda em equipamentos de segurança para inibir os furtos. Atualmente, o índice de perda da empresa é de 1,68%. Para este ano, a rede, que faturou R$ 1,12 bilhões em 2016, espera abrir duas unidades. E, para 2018, a expectativa é de que o consumo tenha uma reação, uma vez que já está reprimido há dois anos.

Por: Sebastião Barroso Felix

 


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