#Varejo deve acelerar crescimento pela transformação digital

Afetados pela crise que começa a ser revertida, os varejistas devem se preparar para um novo cenário mais positivo com a retomada da economia. Uma das primeiras providências é não repetir os mesmo erros do passado recente.

É o momento ideal para o varejo diminuir sua aposta em promoções e preços baixos, até porque esta é uma estratégia finita que drena recursos substanciais dos varejistas, e aumentar a sua aposta nos novos modelos que a transformação digital pode propiciar. Obviamente que a realidade do varejo fora do Brasil encontra-se em um estágio mais avançado e já utiliza estes modelos digitais de forma mais abrangente, tendências que tiveram de ser postergadas, mas que chegaram para ficar e devem crescer por aqui também num futuro próximo.

Podemos aprender muito olhando o que estes mercados mais avançados já fizeram. Apesar de ainda constantemente impactado pela instabilidade política, o setor apresenta sinais de que uma retomada se aproxima. O relatório Spending Pulse (indicador de varejo publicado pela Mastercad) registra pela primeira vez em dois anos que as vendas totais tiveram desempenho trimestral positivo em relação ao ano anterior. Além disso, o mesmo relatório aponta que pelo segundo mês consecutivo as vendas no varejo apresentaram crescimento ( em junho, de 2,6% em relação ao mês anterior). É fato que muito disso somente foi possível pelas constantes promoções.

O varejo brasileiro ainda é fortemente guiado por promoções, e os anúncios feitos pelas grandes redes reforça cada vez mais isso. E por datas comemorativas importantes que tivemos neste período. Talvez a principal tendência do varejo mundial sejam os consumidores hiperconectados, que estão comprando cada vez mais durante seus trajetos diários e rotineiros. Este é um padrão de consumo que está muito relacionado à comodidade, uma vez que estes consumidores acabam usando seu tempo de deslocamento para pesquisar preços e efetuar compras.

São estes os consumidores que mais empurram o varejo para acelerar a sua transformação digital. Tal comportamento tem forçado as grandes empresas varejistas a adotarem tecnologias para enfatizar a interação com o consumidor antes, durante e depois do processo de compra, bem como utilizarem ferramentas que permitam atender às suas necessidades de consumidores hiperpersonalizados, além da criação de experiências interativas em tempo real.

No entanto, menos de um terço dos varejistas brasileiros já consegue lidar com a nova geração de consumidores hiperconectados. Neste cenário, existe, portanto, um enorme potencial para geração de negócios por meio da transformação digital que, se implementada, permitiria ampliar o horizonte e competir inclusive com varejistas internacionais, além daqueles que já nasceram totalmente digitais. Estamos diante de um cliente hiperconectado antes, durante e após a compra.

Para fazer frente a este desafio, as empresas devem ser igualmente hiperconetadas e alinhadas com todas as mudanças que ocorrem no acesso às informações em tempo real. Hoje, graças à tecnologia, o varejista pode ficar muito mais perto do cliente e transformar completamente seu modelo de negócios. Daí a importância da inovação para oferecer aos consumidores uma experiência de compra memorável por meio de equipamentos tecnológicos, otimização de processos e melhor treinamento do pessoal de vendas, permitindo-lhes surpreender positivamente os seus clientes.

Um dos principais desafio atuais é que mesmo com a vontade dos consumidores aumentado em relação a utilizarem smartphones para efetivarem suas compras, muito em função de facilidade e comodidade, no Brasil ainda é pequena a quantidade de varejistas que possuem aplicativos para celular com capacidade de compra. Indo além, são poucos os varejistas que estão usando aplicativos que utilizem beacons e que permitam o envio de promoções personalizadas ou cupons de desconto para consumidores que estão próximos ou mesmo dentro das lojas.

O desenvolvimento destes aplicativos com funcionalidades de compras e descontos para mobile é um excelente exemplo de como a transformação digital pode gerar novos modelos negócios, ajudando a aumentar a receita e a rentabilidade dos varejistas. Com foco na comodidade, apesar te todo o avanço tecnológico que temos disponível, uma das principais causas de frustração por parte dos consumidores segue sendo a falta de produtos. A transformação digital pode ser um importante caminho para minimizar esta frustração, criando um sistema combinado de RFID com analytics, que assegure informações sobre disponibilidade de produtos independente do canal, que possa ser acessado tanto por televendas quanto por mobile.

Outra resposta que a transformação digital tem para a falta de produtos é a disponibilização de dispositivos móveis para os vendedores dentro das lojas, de forma a permitir que eles coloquem pedidos de venda ou troca, quando os produtos desejados pelo cliente não estão no estoque da loja física. No campo da experiência de compra, a transformação digital tem papel absolutamente relevante, impulsionada por clientes que esperam que os varejistas modifiquem processos e criem sistemas que melhorem consideravelmente a experiência de compra.

Sistemas de coleta de dados de clientes que incluem PDV e redes sociais, promoções personalizadas, programas de fidelização que pontuem automaticamente e que sejam fáceis para resgatar benefícios e produtos, além da disponibilização de conteúdo, histórias de uso e opiniões de clientes satisfeitos e insatisfeitos são casos que estão sendo transformados por meio da utilização da tecnologia digital.

O grande desafio continua sendo conseguir coletar todas estas informações sem que os clientes tenham a sensação de privacidade invadida. Tomando o cuidado de não ser invasivo a este ponto, é fato que a transformação digital tem muito a agregar e contribuir com modelos inovadores e formas de viabilizar novos negócios entre os varejistas e consumidores.

Por: Fernando Gamboa, Diretor Sênior do GA, consultoria líder em Transformação Digital na América Latina


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